sexta-feira, 26 de setembro de 2008

A tenda


Hoje à tarde eu estava meio frustrada com as coisas e cansada, então simplesmente desliguei o computador e fui para a sala e deitei no sofá, troquei algumas palavras com minha mãe que estava vendo TV e acabei pegando no sono. Um tempo depois, acordo com minha mãe colocando um lençol em mim, aqui na minha casa temos mais o costume de usar lençóis do que coberta às vezes (exceto nos verões rigorosos), não sei por que, acho que nunca entenderei. Voltando ao assunto, eu acordei quando minha mãe colocou o lençol em mim, mas fingi que não tinha acordado e continuei deitada lá, pouco depois se torna impossível não estar desperta pois minha mãe começa a gritar com meu irmão.
Então, incapacitada tanto de voltar a dormir quanto de fazer alguma coisa fiquei lá no sofá, escondida debaixo do lençol de uma maneira que chegava até a ser engraçada, com as pernas dobradas, meio sentada, difícil explicar, mas quem visse de fora acharia que era uma pequena tenda, e então, meio sentada-deitada fiquei pensando nas coisas.
Aquela tendinha me fez lembrar na época em que era criança e eu e meu irmão fazíamos uma espécie de cabana com as cobertas, lençóis, travesseiros e agulhas, lembrei-me também que já havia feito isso com algumas amigas minhas e também lembrei-me de quando tentávamos fazer cabanas no meio de lotes abandonados sem nunca uma ter dado certo.
“Porque a gente fazia isso?”, pensei. Será que era porque queríamos um espaço só nosso? Onde nós poderíamos dominar, em que não precisaríamos aceitar as idéias que não gostamos? Acho que era por isso, nós queríamos independência. E, inconscientemente, tentávamos incorporá-la numa tenda, ou cabana.
Fiquei meio duvidosa quanto aos meus pensamentos no começo, mas depois cheguei à conclusão de que estava certa mesmo, afinal, porque eu estava ali recolhida debaixo do lençol naquela hora? Para me isolar um pouco do que estava ao meu redor e concentrar-me em meus pensamentos.
Depois lembrei-me de outra coisa, em todas as tendas e cabanas que tentávamos fazer havia uma parte que para nós era importantíssima, que sem ela não haveria ‘magia’ nenhuma, a necessidade de um teto.
Então, porque precisamos de um teto? Somente para protegermos da chuva? Vamos lá, chuva faz mal, mas nem tento, na verdade acho que deixaria de fazer mal se nós deixássemos de pensar tão mal dela. Acho que esse teto tem mais a ver com a proteção, somos humanos, somos inseguros, procuramos uma razão uma proteção para nos apoiar porque não temos certeza das coisas, esse é o propósito das religiões.
Esse teto nos figura a proteção, toda criança quando nasce precisa de alguém ao seu lado, e mesmo que não pareça, até sua morte (ou até depois dela, não sei) ela é dependente de alguém, ou algo.
Agora, concluindo, ficamos meio confusos, a tenda não servia para sermos independentes, então porque o teto?
Essa é uma pergunta a qual resposta não sei, talvez pensando e vivendo um pouco mais eu descubra, você sabe a reposta?

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PS: Quando achei essa foto, lembrei-me que eu já fiz muitas vezes tendas de guarda-chuvas com minhas amigas, na época em que estava chovendo, não fazia sentido, mas era engraçado.

2 comentários:

g.winme disse...

Estranho você dizer que a religião é pra quem não tem certeza das coisas, se quando nós adotamos uma, passamos a ter certeza de várias coisas que são mais improváveis do que as coisas que que "não temos certeza" (como você disse). Não consigo ver a religião por esse ponto.

O teto é a parte mais importante da cabana! É ele quem diferencia a cabana do "ambiente externo"! Reflita sobre isso, é interessante.

vladys disse...

pense na tenda como um corpo, você estar lá dentro, pense que você e todos os órgãos, veja o teto como a cabeça, agora imagine uma cabeça com um celebro sem crânio ... ou ate mesmo sem pele nem cabelo, o celebro e o órgão vital ele sem proteção si tornaria alvo fácil agora veja: chuva, sol, calor, umidade, vento, poeira; tudo o que nos passamos, si o nosso “teto” não existe-se nossa vida normal seria de menos de 3 semanas ...


“um alguém de quase sem importância saio de sua vida, mais ele ainda estar por perto de você ajudando, aconselhando essa pessoa ama você não de um modo especial, não como namorada, mas sim de outro modo que talvez você ainda não entenda. Ele sempre vai estar perto de você, não pergunte como, mas sempre vai estar.”